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Fonte: Valor Econômico - http://www.valoronline.com.br
Data: 25/05/2003
Autores: Heloisa Magalhães e César Felício, Do Rio e São Paulo
Firjan e Fiesp aceitam discutir alterações na lei
O presidente da Federação da Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, Eduardo Eugênio Gouvea Vieira defende o fim das contribuições compulsórias para o sistema "S". "Há anos estamos trabalhando neste sentido. No Estado do Rio, 80% dos custos diretos do Sesi e Senai são cobertos pelos usuários,empresas e trabalhadores. Nenhum brasileiro aguenta mais imposto compulsório de coisa alguma ", reclama.
Gouvêa Vieira diz que devem vir do orçamento da União os recursos para os estados menores da federação, onde pode haver dificuldade para levantar os recursos necessários à prestação de serviços de treinamento técnico e assistência prestados pelo sistema "S". Mas avalia, também, que os Estados menores devem redirecionar as atividades para a demanda existemte.
"É fundamental entender que o serviço demandado pela sociedade não exige instalações físicas próprias do sistema "S". Na Firjan desenvolvemos projeto de alfabetização em casas de terceiros. A Petrobras, a Reduc (Refinaria de Duque de Caxias)., o grupo Ultra cederam instalações. A própria Rede Ferroviária cedeu um prédio para uso da Firjan", destaca.
Para ele, a proposta do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de mudar o sistema "S" faz parte de ampla agenda para desonerar o emprego: "Não podemos falar em ganhos de competitividade se não reduzirmos os ônus da folha de pagamento", diz.
Por meio de sua assessoria de imprensa, o presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, disse não acreditar que a revisão das formas de financiamento do sistema "S" seja discutida no Fórum Nacional do Trabalho. Segundo Piva, o Fórum - organismo com representação tripartite entre governo, empresas e sindicalistas - não é a instância correta para a discussão, porque o sistema S não seria uma questão trabalhista.
Em janeiro, Piva declarou ao Valor em entrevista que seria necessário encontrar uma outra fórmula de financiamento para o sistema. "Não podemos ficar fazendo discurso sobre o custo Brasil e onerando a folha com financiamento a estas entidades". Ele não apresentou na ocasião, entretanto, uma proposta para alterar o modelo atual.
Nesta entrevista, concedida às jornalistas Célia de Gouvêa Franco e Débora Guterman, Piva diz aceitar uma participação maior dos trabalhadores no conselho do sistema. "Há muita gente que é contrária a essa proposta, mas não vejo grandes problemas em se criar espaços dessa natureza", disse. Também disse ver como inevitáveis pressões por mudanças. "Não tem nenhuma razão para empurrar para frente coisas que fatalmente vão acontecer uma hora ou outra", disse Piva.
O presidente da Fiesp acertou sua previsão sobre a disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de mexer no tema: "Esse sistema vai ser discutido, se não no primeiro ano de governo, será no segundo, no terceiro. Porque Lula domina o tema, vai se debruçar sobre essas contas todas do sistema "S" e, obviamente, vai mexer nele.
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