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Fonte: Valor Econômico - http://www.valoronline.com.br
Data: 25/05/2003
Autor: Maria Lúcia Delgado, De Brasília
Sindicalistas dizem que proposta nem chegará ao Congresso
A proposta de extinção do sistema "S" (Sesi, Sesc, Senar, Senac, Senai, Sest, Senat, Sescoop e Sebrae), feita pelo grupo especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social durante o debate sobre a reforma sindical e trabalhista e submetida ao Forum Nacional do Trabalho, é um contrasenso na opinião dos dirigentes das duas maiores centrais sindicais do país. Representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical, que integram o Conselho de Desenvolvimento, asseguram que não há a menor possibilidade de a proposta ser aprovada no plenário do órgão colegiado e muito menos no Congresso Nacional.
O texto das reformas será votado pelo Conselho no próximo dia 12. "A eliminação do sistema 'S' não tem como passar no Conselho e nem no Congresso. Vamos votar contra. Queremos a manutenção do Sistema 'S', desde que os sindicatos também participem da administração dos recursos, porque hoje está tudo concentrado nas mãos dos empresários", afirmou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
"Isso não passa de jeito nenhum no Conselho. E é mais fácil o Congresso aprovar a implantação do 'socialismo já' do que o fim do sistema 'S'", ironizou o presidente da CUT, João Felício. Ele afirma ainda que a eficácia e possíveis mudanças no sistema "S" não devem ser discutidas no bojo das reformas. "O que isso tem a ver com reforma trabalhista? Só se discute isso porque está se buscando uma reforma que diminua a carga tributária para as empresas, e sai muito dinheiro para sustentar a rede 'S'", disse Felício, admitindo, portanto, a ligação entre uma coisa e outra.
CUT e Força Sindical defendem uma novo modelo de gestão dos recursos arrecadados pelas empresas e que são aplicados na qualificação profissional. "Deveria ser criado uma Conselho, com participação dos trabalhadores, para aprovar os orçamentos", defendeu Paulinho. A CUT vai mais além e propõe um fundo único para financiamento de projetos de qualificação profissional. Os trabalhadores, segundo João Felício, deveriam definir juntamente com empresários, onde serão aplicados os recursos e quais projetos e metodologia devem ser implantados.
As centrais também concordam com o fim do imposto sindical. A Força Sindical acha necessário um período de transição. "Durante esse período queremos a implantação de contratos coletivos nacionais, o reconhecimento de representantes sindicais nas empresas e o fim da fábrica de sindicatos", afirmou Paulinho. Imposto sindical, a CUT sempre defendeu o fim. "Consideramos que a sobrevivência financeira do sindicato deve se dar através da contribuição espontânea". Para João Felício, os sindicatos não podem ser confundidos com aparelhos do Estado.
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